1949-1954

Em poucos anos, Amália torna-se num símbolo do sucesso nacional: a rapariga pobre que com o poder do seu canto passa da noite para o dia a ser rica e famosa, despertando todas as paixões. Tudo sobre ela se diz, tudo sobre ela se quer saber,  todos os amores lhe são atribuídos. À sua volta gera-se uma curiosidade sem precedentes, sendo discutida, criticada, copiada, e seguida com ilimitado fervor.

Amália canta pela primeira vez em Paris, no Chez Carrère e em Londres no Ritz, em festas do departamento de Turismo organizadas por António Ferro.

Em 1949 estreia-se o filme "Vendaval Maravilhoso", uma co-produção Luso-Brasileira, baseada na vida do poeta baiano Castro Alves. Amália interpreta o papel de Eugénia da Câmara, a amante do jovem poeta, criando uma personagem totalmente diferente daquelas que lhe eram normalmente atribuídas. Neste filme histórico de Leitão de Barros, o mais prestigiado realizador da época, Amália atinge uma espantosa força dramática, comparável às grandes trágicas do cinema. Mas o filme é um fracasso comercial.  

Um marco decisivo na internacionalização de Amália é a sua participação, em 1950, nos espectáculos do Plano Marshall; um programa de apoio Americano à Europa do pós-guerra onde participam os mais importantes artistas de cada país. O êxito repete-se por Trieste, Berna, Dublin e Paris. Amália começa a dar que falar pela Europa. Em Roma, Amália actua no Teatro Argentina, sendo a única artista ligeira num espectáculo em que figuram os mais famosos cantores clássicos do momento.

E quando eu vi que era uma orquestra sinfónica e que todas as pessoas eram cantoras clássicos, estava Canilla, naquela altura a cantar lá, um Jacques Tibaut que tocava um instrumento qualquer, quer dizer tudo aquilo era clássico, menos eu. Uma orquestra enorme e eu sozinha com uma guitarra e uma viola. E eu enchi-me de medo, e eles também, os guitarristas, ficaram apavorados, com uma orquestra a tocar e eles com a guitarra e a viola, e eu a cantar com aquelas vozes. Estávamos todos aterrorizados.  E eu dizia assim, "só espero que Nosso Senhor me dê uma hora de febre muito alta, para eu não ir cantar, mas realmente não tive a febre, fui cantar mesmo. Entrei, com certeza que a cara que eu tinha, quando entrei no palco era tão desgraçada que as pessoas começaram a olhar para mim com uma ternura que isso animou-me um bocado. Não sei se a ternura foi da minha presença, eu olhei para as pessoas e as pessoas olharam para mim com um certo interesse. O medo era tão grande que se via, transparecia na cara. E depois, tive um sucesso muito grande, e pela primeira vez na minha vida e última tive um chelique, chorava e ria ao mesmo tempo, e veio toda a gente "perque piange, perque piange, e estato un sucesso formidabili, perque ? Le brava, le brava". E eu estava assim naquela coisa, só acreditei naquilo quando saí, estavam as pessoas à espera e quando eu saí começaram todas a bater palmas.

Durante um espectáculo em Dublin, Amália canta “Coimbra”, que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud que a populariza em França como “Avril au Portugal”.

Quando Amália regressa a Lisboa, dá-se o encontro com Alberto Janes, um desconhecido que faz de propósito para ela a música e a letra de um fado que haveria de dar a volta ao mundo.

O Alberto Janes apareceu-me na minha casa,* "Sabe, eu sou formado em farmácia, tenho uma farmácia em Reguengos, mas a minha paixão é a música, a minha paixão é ser artista, e faço umas coisas e fiz um fado que toda a gente diz quando ouve este fado - "isto é um fado para a Amália, isto é um fado para a Amália, isto é um fado para a Amália"- entusiasmaram-me, e eu vim até aqui". Apareceu-me assim com aquele fado "Foi Deus" que todo a gente pensava que não era bom, quem estava na minha casa, e eu assim "é bom, é" porque já me estava a ouvir a cantar o fado, não era ele porque ele não tocava bem, nem cantava bem. Fez um fado muito bonito, até agora é um grande fado, em qualquer parte do mundo eu canto aquilo faço um efeito extraordinário. As palavras que ele escreveu, a música que ele escreveu, as palavras levam-me a mim a cantar com uma força, porque não há nenhuma música que leve assim aquelas ovações que leva de calor humano só porque é bonita. Há outra coisa qualquer que a pessoa sente, e quando chega ao fim "Foi Deus que me pôs no peito, o rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar", às vezes estou nuns dias que começo a desfiar o choro e quase não posso acabar de cantar. Eu vi logo que aquilo era para mim.

A partir de 1950, Amália não pára de viajar. Sucessivas tournées levam-na a África, e às Américas. No México obtém um grande sucesso, aí permanecendo longas temporadas. Amália que sempre cantou em espanhol, descobre então a canção popular Mexicana, a ranchera, que passa a acrescentar ao seu reportório. No entanto, será com o fado que Amália conquista o México.

 Deixando o México rendido ao seu fascínio, Amália parte para actuar num dos lugares mais célebres à face da terra. Após as suas actuações no Mocambo de Hollywood, ponto de encontro das grandes estrelas do cinema Amália recebe propostas para filmes bem como os mais rasgados elogios da crítica.

 Em 1952 Amália actua pela primeira vez em Nova Iorque, no La Vie en Rose, onde ficará 14 semanas em cartaz. Torna-se na primeira artista portuguesa a actuar na televisão americana no famoso programa “Coke Time with Eddie Fisher”, onde interpreta “Coimbra”.

 Assina contrato com a casa Valentim de Carvalho, fazendo as suas primeiras gravações para a companhia discográfica nos estúdios da EMI inglesa, em Londres. A relação discográfica de Amália com a Valentim de Carvalho só será interrompida brevemente, nos final dos anos 50, por uma passagem pela editora francesa Ducretet-Thomson, após a qual Amália regressará à Valentim de Carvalho de vez.

 Amália é convidada para um pequeno papel no filme de Henri Verneuil “Os Amantes do Tejo", produção francesa parcialmente rodada em Portugal, com Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália interpreta “Canção do Mar” e “Barco Negro”, que correm mundo arrastadas pelo sucesso do filme.

Edita o seu primeiro LP: “Amália Rodrigues sings Fado from Portugal and Flamenco from Spain”, publicado nos EUA pela Angel Records. Este álbum nunca será editado em Portugal com este alinhamento, mas conhecerá edições em Inglaterra e, em 1957, também em França.



- Curiosidade
- Londres
- Vendaval Maravilhoso
- Personagem
- Plano Marshall
- Alberto Janes
- Mexicana
- Mocambo
- Valentim de Carvalho
- Os Amantes do Tejo



 

Televisão:

- Coke time with Eddie Fisher:

28.8 / RDIS

- Hi Li Hi Li Hi Lo:

28.8 / RDIS

 

Cinema:

- Sol e Toiros

A maior fadista portuguesa

28.8 / RDIS

 

- Vendaval maravilhoso:

Genérico

28.8 / RDIS

Não quero mais

28.8 / RDIS

 

- Os amantes do Tejo:

Genérico

28.8 / RDIS

Barco Negro I

28.8 / RDIS

Barco Negro II

28.8 / RDIS

Não há quem lhe resista

28.8 / RDIS